domingo, 24 de janeiro de 2010

O milagre da Multimistura




Na última página da Revista Veja de 20 de janeiro me deparei com a crônica de Roberto Pompeu de Toledo " O milagre do Sorinho e outros milagres".

Ele relembra e discorre sobre o legado da Dra. Zilda Arns, criadora e administradora da Pastoral da Criança, morta na semana passada vítima do terrível terremoto que assolou o Haiti.

" O que mais espanta, na obra de Zilda, é o contraste entre a eficácia dos resultados e a simplicidade dos métodos. Nada de grandiosos aparatos, nada de invencionices"...dentre suas ferramentas básicas ela contou com " a escora da índole feminina. Noventa e dois por cento do voluntariado da Pastoral da Criança é constituído por mulheres. Uma tarefa dessas é séria demais para ser deixada por conta de homens. A mulher é muito mais confiável quando se mexe com assunto situado nos extremos da existência, como são os cuidados com o nascimento e a morte, a saúde e a doença."

Mulher é assim: se é complicada, também é perfeitinha: devota e dedicada!

Desde nem me lembro quando a Pastoral da Criança esteve dentro da minha própria casa. E no caso era o meu pai fazendo parte dos 8% do voluntariado masculino. Minha mãe juntava os ingredientes, mas era o meu pai quem preparava a multimistura, casca de ovo, semente de abóbora, de girassol, arroz, milho e outros ingredientes "singelos"; e eu chamava carinhosamente aquela mistura meio marrom, meio cinza , de "pózinho da fome".

Me lembro também de uma balança do meu pai, que se servia para pesar saco de feijão e de milho, também ia a campo pesar crianças nas comunidades.

Se o índice de mortalidade infantil em 1982 era de 82,8 mortos por 1000 nascidos vivos e hoje nas comunidades com atuação direta da Pastoral está em 13 por 1000, isto se deve ao trabalho de formiguinha de pessoas como o meu pai.

E isto me faz ter um imenso orgulho dele!!!!

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